sexta-feira, 19 de outubro de 2007

CONSUMO E CORPO

Outra questão que tem ocupado meus neurônios ultimamente refere-se ao consumo.
O quanto uma marca se torna indispensável no corpo de um ser humano. Aquele óculos da Prada, a bolsa da Luis Vuitton, o jeans da Diesel, o tenis da puma e outros consumos, hoje tão impregnados nos corpos e no desejo das pessoas.
Também acho que seria interessante abordar esta questão num trabalho. Acho inclusive que poderia ser uma posição politica...
O que acham disso?
A revista de lançamentos e suas marcas exuberantes te faz brilhar os olhos? Te faz gastar dinheiro?

6 comentários:

Carolina disse...

food for thought,

Eu, Etiqueta
Carlos Drummond de Andrade

Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim-mesmo,





ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio,
ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente).
E nisto me comprazo, tiro glória
de minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam,
e cada gesto, cada olhar,
cada vinco da roupa
resumia uma estética?
Hoje sou costurado, sou tecido,
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrina me tiram, recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.

claudiaclobo disse...

VENDO VIOLINO
CÓPIA STRADIVARIUS

Quantas cópias não negociamos a cada dia
Cópias de nomes-marcas
ausentes de dna
Afinal, naquele violino
que traço real de Stradivarius haveria
Temos tantos discursos éticos para os clones
mas para com as cópias temos tamanha tolerância
Ânsia, até
O acesso é fácil
e a ilusão de posse permanente
ao menos enquanto dure o nosso interesse
afoito, fortuito
Mas é certo
Um dia houve quem dedicasse a vida à construir Stradivarius
Ainda há
Há de haver quem ainda faça tal tipo de coisa
Mesmo que isso não faça
a menor diferença para o comércio de violinos

Letícia Strehl disse...

Querido! Adorei teu blog...
Fico muito feliz de te ver tão bem... com sucesso neste mundo tão difícil...
Sobre o tema "consumo e corpo", gostaria de dar também meu pitaco: acho que a marca é mais importante para o capital do que para as pessoas, mas, mesmo assim, muitos se submetem a ela. Estranho, né!? Eu sou uma militante de valorização do conteúdo em detrimento da forma... acho que o tratamento do tema dá um belo espetáculo!
Beijos, Lê!

JULIANA disse...

eu ia escrever algo bem idiota que já nem lembro mais... mas aqui tá tudo muitosério! então pergunto como está a folga! rsrsrsrrsrs... Beijo!

Marcela disse...

Culto à velocidade é o bálsamo para a anciedade que agita sem cerimônia o cotidiano contemporâneo, constante desfazer de suas certezas e identidades.
Simplesmente informação acumulada. Barulhos adversos à política do espírito. Invasão de espírito.
Um corpo em reconstrução é infinito.
Atualmente estamos mais solitários diante das responsabilidades que a liberdade nos exige aos holofotes do adjetivo de sermos fotogênicos
O consumo interno, externo.Via de mão dupla ao cego que pode ver.Alimento à velocidade do movimento em massa.Starfixes desfilando identidade. . .

Marcela disse...

Desloquei um pouco, entrei numa via que fala um pouco de um trabalho meu "Occo"...mas,tem muito pra se pensar,e lincar pensamento à outro.Bjos